Jair Henrique Lemes
Apenas alguns fragmentos impertinentes...
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Textos

Epigrafia

Ninrode não alcançou o céu.

Entre Sinear e a estrela,

um tijolo conserva a impressão de um polegar...

Ciro dorme sob a pedra que recusou a púrpura.

Pasárgada, aberta aos quatro ventos,

não sabe a quem pertenceu o mundo.

Dos cedros de Salomão nem o perfume obedece.

Ofir fechou suas veias de ouro,

e o Mar de Bronze, tão vasto,

cabe agora numa palavra...

Trajano grafou sobre o Danúbio

uma ponte para a eternidade.

Ó rude rio iletrado!

Sob os jazigos,

a argila recebe o maxilar do rei

e a moeda do mendigo.

Quantos olhos cobiçaram

o que lhes pesava sobre os ombros.

Hoje passamos

diante da pouca terra

que lhes aflige o peito

sem o sabor do veneno ftoniano...

Jair Henrique Lemes
Enviado por Jair Henrique Lemes em 27/08/2026
Alterado em 05/09/2026
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