Jair Henrique Lemes
Apenas alguns fragmentos impertinentes...
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Textos

Seria a catarse do estagirita?

O crepúsculo fende-se, lento,

numa púrpura exausta sobre a Serra...

No copo, a aguardente de raízes amargas -

áspera farmacopeia dos antigos -

arde breve;

e o louro fermento, glacial de espuma,

vem depois apaziguar-lhe o incêndio.

No rádio, Zum...

“Nestas águas paradas e calmas

Que demonstram poesia em tudo

Sinto um turbilhão em minha alma

Que às vezes quase fico mudo”

Um frio miúdo sobe pelos braços,

eriça a relva dos cabelos,

e o anoitecer, sem margem,

respira por meus poros.

No fundo do copo,

Continua...

O âmbar sacramental

recolhe os últimos clarões da tarde;

ao lado, o negrume elixir,

áspero relicário de ervas.

Só o copo sua sobre a mesa,

e a noite enfim inteira

e, em algum lugar,

meu pai...

Evocado nos últimos versos,

Transmutado,

Inominado,

em mim se transfigura.

Os gargantas finalizam:

“Hoje ela está junto de Deus

Me espera quando eu chegar

E os lábios que já foram meus

Novamente eu irei beijar”

Jair Henrique Lemes
Enviado por Jair Henrique Lemes em 04/09/2026
Alterado em 05/09/2026
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