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16.
Há toga navegante em mar antigo,
mais do Tejo que da terra natura;
cruza salgadas eras, vai e sigo
vendo a lei mudar de porto e feitura.
Por isso canto breve e falo amigo,
peço aos céus silêncio, não clausura:
se o verso ousar demais na ventania,
durmam os autos — reine poesia.
17. Assim também dedico, gesto fino,
aos que guardam a lei no alto Estado;
sumos sacerdotes do gran ensino,
cujo saber faz Gregos ser passado.
Invejam-nos Troia e o mundo latino,
e Justiniano revê seu legado;
se Ulpiano outrora a lei fizera,
onze a recriam — reflexo da era.
18. Do assento onde a palavra impera,
veste a lei púrpura e exaltação;
não soa espada, mas sentença austera
que ao gesto breve move a multidão.
O discurso em forma régia opera,
como se o sol dali nascesse então;
e a voz que pesa o rumo da cidade
faz do dizer um trono de autoridade.
19. Assim floresce a pompa do estilo,
onde a razão se afirma em lei cega;
não diz “eu sou”, mas fala em tom tranquilo
que ao sol antigo firme se apega.
Se algum mortal discorda do sigilo
com que se guarda a musa grega,
abre-se então o rito da verdade:
indaga, acusa — e cumpre a equidade.
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- Trechos de Os Goyazes, ou Reminiscências da Epopeia Goiana