A relva molhada desliza sob seus sapatos secos naquela manhã que principia com chuva fina, contraposta à noite anterior, marcada por um temporal tenebroso.
O ar úmido, descansado, bate em sua pele, arrepiando-lhe a alva face, ainda vincada pelo sono. Desce à praça em busca do pão diário para a amada. Vê nascer a cidadela sob a sentinela da Serra Dourada. Os primeiros raios de sol já batem em alguns casebres; um vendedor de pequi se agita; Pacaco o cumprimenta.
Na porta de um açougue, os perus da vez comentam sobre política. Passa outro gritando: “Vila... vila...” E esse som só é interrompido pelo carro da funerária, que anuncia mais alguém que abandona o rol dos viventes.
Ao fundo, uma cantoria lamentosa se avoluma e se dilui devagar, estridente. É o canto da seriema.
Não sabe o porquê, mas és revitalizado. Tudo se torna real. Não acaba por aqui; tem que continuar. Também merece ter sua vida feliz. Senão por ele, pelos seus.
Mesmo após aquela tempestade de ontem...