Jair Henrique Lemes
Apenas alguns fragmentos impertinentes...
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Textos

A relva molhada desliza sob seus sapatos secos naquela manhã que principia com chuva fina, contraposta à noite anterior, marcada por um temporal tenebroso.

 

O ar úmido, descansado, bate em sua pele, arrepiando-lhe a alva face, ainda vincada pelo sono. Desce à praça em busca do pão diário para a amada. Vê nascer a cidadela sob a sentinela da Serra Dourada. Os primeiros raios de sol já batem em alguns casebres; um vendedor de pequi se agita; Pacaco o cumprimenta.

 

Na porta de um açougue, os perus da vez comentam sobre política. Passa outro gritando: “Vila... vila...” E esse som só é interrompido pelo carro da funerária, que anuncia mais alguém que abandona o rol dos viventes.

 

Ao fundo, uma cantoria lamentosa se avoluma e se dilui devagar, estridente. É o canto da seriema. 

 

Não sabe o porquê, mas és revitalizado. Tudo se torna real. Não acaba por aqui; tem que continuar. Também merece ter sua vida feliz. Senão por ele, pelos seus.

 

Mesmo após aquela tempestade de ontem...

 

Jair Henrique Lemes
Enviado por Jair Henrique Lemes em 15/10/2026
Alterado em 15/10/2026
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