Frente ao largo das torres da abadia,
o arado abria os sulcos
em terra avoenga,
de cercas desgastadas,
curvas conhecidas.
Nesse carvalho,
a mão do filho encontrava
a marca paterna.
Ao toque das vésperas,
os corvos cruzavam o campo.
O fogo ardia no lar.
E a noite vinha
pelo caminho dos séculos.
Velho camponês,
donde viestes,
para onde partiu?
Hoje, desperto ao som frio.
O café esfria sobre a mesa.
Na tela, notícias de um mundo
metamorfoseado
durante uma calada
noturna.
Pela janela, a mesma rua,
alguns carros iguais,
o homem que varre a calçada.
Antes de sair,
consulto a previsão do tempo.
O sol atravessa a vidraça.
Na tela, um aviso de tempestade.
Levo o guarda-chuva.
Quando abro a porta,
já não reconheço o céu.