Jair Henrique Lemes
Cantar a natureza, sentir o bello, amar a virtude, animar o progresso, contradizer a incredulidade,
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Textos

Frente ao largo das torres da abadia,
o arado abria os sulcos

em terra avoenga,

de cercas desgastadas, 

curvas conhecidas.

 

Nesse carvalho,
a mão do filho encontrava
a marca paterna.

 

Ao toque das vésperas,
os corvos cruzavam o campo.
O fogo ardia no lar.
E a noite vinha
pelo caminho dos séculos.

 

Velho camponês,

donde viestes,

para onde partiu?

 

Hoje, desperto ao som frio.
O café esfria sobre a mesa.
Na tela, notícias de um mundo
metamorfoseado

durante uma calada

noturna.

 

Pela janela, a mesma rua,
alguns carros iguais,
o homem que varre a calçada.

 

Antes de sair,
consulto a previsão do tempo.

 

O sol atravessa a vidraça.
Na tela, um aviso de tempestade.

 

Levo o guarda-chuva.

 

Quando abro a porta,
já não reconheço o céu.

 

Jair Henrique Lemes
Enviado por Jair Henrique Lemes em 05/11/2026
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