Ó Abadiânia! Em dor e nostalgia,
Recordo-te ao longe, em doce instante;
Dos meus, poucos guardam o berço infante,
Sustentam viva a raiz que me guia.
Em Vila Boa, novo encanto,
Nas ruas tortas, plenas de poesia;
Nos becos e vielas, no dia a dia,
Despontou o amor que em mim fez recanto.
Nas casas barrocas palpita o ardor,
Mas transpus a Serra ao mando do destino,
Que em mim se traçou qual senda interior.
E Mossâmedes, chão abençoado,
Pequena és tu, mas grande em teu valor,
És fé e afeto em povo consagrado.
- Soneto de Os Goyazes, ou Reminiscências da Epopeia Goiana